Postado em Uncategorized em Abril 10, 2008 por Mari Zanin

Acho que acontece pra todo mundo, em maior ou menor escala, com poucas ou muitas pessoas do convívio: a gente se vê, de repente, abandonando, deixando pra trás o que e quem já foi tão imprescindível.
É como um desvio – a gente não sabe bem em que parte da história: só sabe que então cruzou outra estrada, pegou outra ponte e foi aportar em outro lugar.
Não deixou de amar ninguém, só juntou tudo no poço da lembrança, naquele lugar onde nada muda, que não mais interfere nem sobrevive.
Eu sempre tenho muitas saudades de um grande amigo do colégio: Vitor, foi uma das pessoas mais queridas, o mais irmão, uma das pessoas mais especiais que tive o prazer de ter ao meu lado, como companheiro de tardes no telefone, de almoço, de volta pra casa na chuva, ficante, professor particular das matérias que eu não sabia . Mas um dia, sem mais nem menos, nós, que caminhávamos sempre tão juntos, pegamos atalhos paralelos. Nem percebemos imediatamente – e acho que cada uma se deu conta da ruptura em tempo diferente. Foi nove anos depois que trocamos dois e-mails – e teria sido melhor que isso não tivesse acontecido nunca. Não éramos mais os mesmos, nem falávamos a mesma linguagem. Mudaran-se os rumos,  reconstruímos as coisas de outra forma e nem havia muito pra contar – porque tinha um medo de ser mal interpretada e não havia intimidade pra explicar.
Também nessas ocasiões tem um frio que nos acolhe: aquela névoa quase imperceptível, mas que a gente sabe que está ali, encobrindo nossa decepção, o desencanto, uma dorzinha estranha de se saber livre de um vínculo que tanto se quis preservar… Tanto porque às vezes as pessoas fazem de tudo para que não venhamos a querer elas por perto…
A palavra, uma vez dita, é palavra ouvida… não pode ser esquecida em um curto espaço de tempo… Mais quem são essas pessoas? Vítimas de um fracasso pessoal? Pena!
Mudamos nós ou é o tempo que modifica tudo ao redor?
Dia desses andei percebendo que minha memória, sempre fotográfica, anda falhando. É uma coisa ou outra que não lembro, um dia especial que se apagou, um rosto que eu queria tão bem que vai desaparecendo. Bom é que algumas coisas ruins também vão se misturando e se perdendo; mas é sempre o que mais se queria guardar que nos espanta de estar se diluindo.

Talvez já não haja em nós tanto espaço para recordações… Talvez a gente aprenda a dar atenção só ao que realmente importa; talvez assim a dor seja menor, porque já nos magoamos tanto que o coração acostumou (e isso, também pode ser terrível, um sinal de que a sensibilidade amorteceu).
Seja como for, acho que quem continua junto, quem luta contra os problemas, brigas, possíveis falhas de caráter ou encontra uma maneira de manter algum contato qualquer, mesmo que estreito, é porque, de alguma inexplicável maneira, enxerga a beleza com as mesmas cores – mesmo quando tanta coisa mudou, dentro e fora de nós. Pode sair um pouco do foco, mas não a ponto de perder a nitidez.
E, de certa forma, isso nos salva. O contrário, é destruir totalmente o contato com o passado, com tudo que se viveu, e dividir os tempos como se houvesse em nós vidas totalmente separadas, que nunca se juntam.
E acho que é impossível viver só com o ‘novo’: o ‘velho’ é parte de nós, soma do que nos transformamos, e é necessário, também, pra gente não se perder de quem é…
Permanecer é uma coisa boa, acredito eu, mesmo tendo certeza de que a gente quase sempre pemanece por menos tempo do que gostaria.

Postado em Uncategorized em Março 7, 2008 por Mari Zanin

“…Pensar, descrever, expressar sentimentos, se tornou um exercício muito difícil, e a falta que me faz este espelho é do tamanho das saudades…”
Talvez eu tenha entrado numa nova fase sem que a anterior tivesse um fim. Ou talvez seja um momento de intersecções, um momento de ação, de sementes…
E a única coisa que espero é conseguir acompanhar internamente as mudanças externas, ou seja, corresponder às cobranças. Claro que tenho medo. Experimento de tudo um pouco! Mas o medo agora vem misturado com esperanças, pois esta é a minha grande chance de abandonar a inércia que me dominou háquase um ano.
Se implorar resolvesse, não me importaria.
Chorar, se desse resultado, porque não? Minhas lágrimas acabariam com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito.
Será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada sem sua presença? Será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão? Será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida? Definitivamente, não e melhor não dizer isso.
Na verdade é uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinha sonhos.
Infelizmente não dá pra ligar pra vc e dizer: Ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema?
Mas amor, minha querida, não se pede e isso dá raiva, eu sei.
Raiva dela ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto. Raiva dela fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta.
É triste ver o Sol e não vê-la se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ela e são mais tristes as noites que cumprem a promessa.

É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca.
Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo “mais uma vez” este texto amargurado. É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, implorar, esquecer…
Amor se declara, sabe? Ela sabe, ela sabe!
Os últimos dias mereceram muitas e muitas palavras, mas definitivamente percebi que não há mais espaço para tanto..
Me torno cada vez mais fechada. Um universo confuso se dilata por dentro, enquanto muito pouco é exteriorizado. Não há mais palavras pra falar sobre mim ou sobre o que me habita.
Mas ninguém percebe, pois ofereço aos outros o que querem ou precisam: minha amizade, meu sorriso, meu apoio, minha companhia animada… Mas isso é tão fácil…!
O resto fica guardado. 
Quem dera ninguém tivesse que ouvir mais minhas ladainhas de lamentação. 
Nem ele. Nem ela.
Elas tem me ensinado a ser só.
A vida tem me ensinado a ser só.
O barro antes amolecido está endurecendo um pouco disforme. E ainda não consigo avaliar bem o resultado final.
Tenho uma doce saudade da menina que estava aqui, me habitando um ano atrás. Ela era mais leve. Sofria muito, mas tinha lágrimas que podiam tornar-se sorrisos em um instante. Ela tinha cor e esperanças… Ela acreditava… e… por incrível que possa parecer… ela era eu!
Às vezes eu tenho vontade de sumir…. ir para um lugar onde eu possa ficar sozinha….ouvindo a música que eu quiser, no volume que eu quiser e na hora que eu bem entender. Nesse lugar eu poderia ficar falando sem ter a preocupação de que pode ter alguém atrás da porta pensando que eu estou enlouquecendo…. passaria horas e horas no banho…. deixaria as lágrimas escorrerem dos meus olhos sem precisar explicar o motivo delas…. não precisaria aturar pessoas nem situações desagradáveis…. curtiria a minha própria companhia…
É o universo onde o tempo pára pra vc, onde ninguém te machuca e para onde eu queria ter passe livre, mas liberdade, baby… não existe.

Postado em Uncategorized em Fevereiro 15, 2008 por Mari Zanin

Não existe razão para ter criado um blog com tão boa vontade e essa vontade ter durado apenas os primeiros 10 minutos após sua criação.

Mas a verdade é que a gente uma hora cai na real. Não importa o sentimento, o que importa, de fato, é sentir. Traduzir o coração, a cabeça e o que sai dela em palavras, e não deixá-las somente na boca, implorando pra sair.

Mesmo loucas, sem setido ou com qualquer força vetorial quase que inexplicável as minhas palavras estão vivas, ou pelo menos “semi- vivas” mostrando quem eu sou, o que eu vivi e muitas vezes “não menos importante”, o que eu não vivi também.

Escrever é desnudar a alma (por mais piegas que essa frase possa parecer), com todos os seus defeitos e particularidades.

Alguns dizem que a vida é pra ser vivida, mas eu acredito que a vida é pra ser traduzida, afinal, tudo o que somos e fazemos é baseado em uma explicação que criamos para nós mesmos de tudo o que nem explicação tem.

Sejam textos lindos de escritores que a gente ama, poesias incompreensíveis, letras de musica que nos provocam todo tipo de sensações, ou mesmo e “por favor” nossas futilidades emocionais.

Porque a graça está em ser simples, e algo me diz que deixar a aflorar o lado Maria do Bairro que morar em nós é tendência. Afinal, não existe vergonha alguma em sermos o que somos por dentro… e que mude de canal quem não tem, mesmo que escondido, o sangue latino…

a alma cativa.

Postado em Uncategorized em Janeiro 9, 2008 por Mari Zanin

Até mais ou menos os meus 15 anos eu tive diários e agendas onde escondia a sete chaves todos os meus segredos, em códigos, trancados lá. Como a maioria das pessoas, detesto que mexam nas minhas coisas e confesso que sinto uma certa ira quando cogito uma invasão no meu mundo particular, ainda que isso signifique apenas o simples abrir de uma gaveta que guarde o que tenho de mais comum…

Mas eis que, de repente, pego-me com uma imensa vontade de tornar ainda mais público meus pensamentos e indagações… Minhas contradições…
Desenvolvi um certo fascínio por esse compartilhar impressões com um mundo abstrato, de pessoas orgânicas e “sintéticas”, conhecidas ou não, que invadem todos os porões de memórias deste imenso mundo virtual, percebem meus sentimentos, captam suas sensações, entendem os problemas de um outro ou simplesmente me lêem, sem qualquer intenção…
O mais engraçado é que isso não faz com que eu me sinta constrangida nem vasculhada, muito pelo contrário, acho que assim é que eu encontro a minha liberdade (de expressão também).
Acho que não mora em mim mais nada secreto… nem nas pessoas, acredito…

São tantas máscaras e poesias, tantos Orkuts, blogs, fotologs e My spaces que a gente chega a se confundir e lógicamente confundir os outros. Para mim essa é a graça final.

  • Tem gente feliz, amando, compondo, apostanto no futuro, sonhando, ousando, apostando na esperança.
  • Tem gente se curando de dores, de amores, de decepções, de desencantos e desencontros.
  • Tem gente morna, em cima do muro, perdida, esquecida (de si mesma), com medo, sempre adiando.
  • Tem gente fragmentada, ao meio, inquieta, sombria, colando os pedaços.
  • Tem gente querendo esquecer e gente que quer lembrar pra sempre.
  • Tem gente brilhante, iluminada, acreditando que vai dar tudo certo.
  • Tem gente que afirma que sente todas as linhas de cima… e não acha que é um exagero.
  • Tem gente que nem sabe como está.

 E eu? Eu acho que me encaixo no ultimo, sou um novelo de sentimentos, expressões e impressões. Acordo desanimada e vou dormir contente com todas as manifestações que recebo durante o dia, ou o contrário, como não?

Assim como esse “novo” blog, que vai ser bonito e feio, legal e chato, frio, morno e por muitas vezes vai queimar. Não existe graça em ser um só. A graça está na contradição, aonde a beleza das linhas vão trocando cores inevitáveis…

… e necessárias (quase sempre).

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ESTA BOCA ME PERTENCE ,O QUE SAI DELA NEM SEMPRE.
ESTA BOCA É MINHA MAS ESSES OLHOS SÃO TEUS. LEIA O QUE EU QUERO FALAR E ESCREVA ALGO QUE EU POSSA OUVIR.